domingo, 26 de outubro de 2008

Atividade Avaliativa-2

Um breve exercício, uma longa jornada.


O desenvolvimento da competência comunicativa está relacionado à capacidade de o usuário da língua saber interpretar e empregar um maior número de recursos da língua, seja na modalidade escrita, seja na falada, de forma adequada em diferentes situações de interação comunicativa (formais e informais). A segunda atividade, que propõe um trabalho de ampliação dos usos de língua, mostrando como cada falante usaria de recursos comunicativos (e argumentativos) de acordo com o seu interlocutor, seu propósito, ou intenção , permite trabalhar a oralidade e desenvolve a referida competência em nossos alunos.
Escolhi a situação descrita na letra "c", como se fosse uma dondoca descrevendo a casa para a querida amiga e pedi a duas ex-alunas, hoje trabalho em outra unidade de ensino que escrevessem o texto, que ficou assim:
“Pat, a casa é linda. Tem um hall e uma big sala, com um pé-direito double ma-ra-vi-lho-so. No teto um lustre high tech. Ai, amiga, puro design. Falei na hora para Amauri, compra darling, compra. Pagamos em cash. Nem te conto, no andar de cima, são três quartos, to-dos com suítes masters, os banheiros têm hidros. Imagino eu e Amauri no maior love, ai. Olha só, eu ia me esquecendo da cozinha, que eu nem entrei, mas disseram que era do tipo funcional. O jardim é um lugar lindo, bem contemporâneo, chique. Agora o melhor de tudo: a nossa house fica perto do Shopping, já imaginou... não é over.” (alunas da 3ªsérie, CEM 01 Gama).
Ao receber o texto, não fiz correções e pedi que me explicassem como foi o processo de criação. As referidas alunas informaram que pensaram em uma mulher jovem, “patricinha”, apenas com o ensino fundamental, mas que deu sorte, pois se casou com um homem rico, adora sexo, utiliza freqüentemente expressões da língua inglesa, leitora visual da revista Caras. Para construção do texto, pediram auxílio à professora de inglês e gostariam de desenvolver uma atividade desse tipo em sala,de preferência com dramatização.
Podemos considerar erro em linguagem quando temos formas ou construções que travam a comunicação, que a impedem, em termos fonético, morfológico, sintático, semântico e/ou pragmáticos, por fugirem à regularidade natural de uso dessa língua dentro da comunidade de falantes, ou seja, conforme cada dialeto. Ao construírem o texto as alunas demonstraram isso não ocorre, embora a personagem, cometa vícios de linguagem, o estrangeirismo, atentando contra o padrão formal, a mensagem textual é clara.
É importante lembrar que uma mesma pessoa pode usar diferentes variedades de uma só forma da língua, depende da situação, não existindo uniformidade no uso de uma dela. Também é preciso compreender que existem variações de época, de região, de classes sociais, e etc. Celso Cunha, em Uma política do idioma, afirma que "nenhuma língua permanece a mesma em todo o seu domínio e, ainda num só local, apresenta um sem-número de diferenciações. (...) Mas essas variedades de ordem geográfica, de ordem social e até individual, pois cada um procura utilizar o sistema idiomático da forma que melhor lhe exprime o gosto e o pensamento, não prejudicam a unidade superior da língua, nem a consciência que têm os que a falam diversamente de se servirem de um mesmo instrumento de comunicação, de manifestação e de emoção”.
A nossa dondoca extrapola, mas basta um passeio pelos centros comerciais, estudar os anúncios publicitários, conversar com vendedores, ler revistas de decoração, utilizar a internet que perceberemos a utilização de expressões estranhas à nossa língua. Não há volta, aos poucos nos apropriamos de expressões ou palavras e vamos transformando a nossa língua, o processo começa pela fala. São situações que existem e muitos professores ignoram. Ao desconhecer a realidade do aluno, a sua prática se distancia , tornando-se ineficaz. O ensino do padrão formal, nosso objetivo, deve ser feito a partir de duas vertentes: a realidade de nosso tempo e a do aluno, assim alcançaremos o sucesso, sem imposições, apenas mostrando o caminho necessário para o domínio da nossa língua e conseqüentemente o sucesso, pois como dizia o Chacrinha: "Quem não se comunica, se trumbica."
Referências bibliográficas
CUNHA, Celso. Uma Política do Idioma.Disponível em www.filologia.org.br/revista/artigo/htm. .Acessado em 16/08/2008
TRAVAGLIA, Luiz Carlos . Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no primeiro e segundo graus. S.P. Cortez, 1996. pp 41-66
MARCUSCHI, L. A. A concepção de língua falada nos manuais de português de 1º e 2º graus:uma visão crítica. Trabalhos em Lingüística Aplicada, Campinas,SP: UNICAMP/IEL, n.30, 1997.





Pós-SEDF- UNB-continuação

Nesta segunda atividade, vamos propor um trabalho de ampliação dos usos de língua, mostrando como cada falante usaria de recursos comunicativos (e argumentativos) de acordo com o seu interlocutor, seu propósito, ou intenção. É muito importante que se construa situações de oralidade em sala de aula, de forma a tentar trazer as situações do dia-a-dia para o universo da classe e, assim, desenvolver a competência comunicativa de seus alunos.
Imagine a seguinte situação. A professora leva uma foto de uma bela casa (escolhida em revista de decoração ou arquitetura, de preferência com planta) e solicita que cada aluno represente um papel acordo com as seguintes situações:
a) como se fosse um arquiteto descrevendo a casa para seu cliente;
b) como se fosse o ladrão descrevendo ao comparsa como é a casa para o roubo da mesma;
c) como se fosse uma dondoca descrevendo a casa para a querida amiga;
d) como se fosse a noiva convencendo o noivo a comprar a casa;
e) como se fosse o corretor de imóveis, tentando vendê-la a uma família de classe média.
Nós, a seguir, daremos as sugestões de como ficariam algumas falas e depois solicitamos a você que construa as outras.
1ª Situação: o arquiteto descrevendo a casa para o cliente:
“Como o senhor pode verificar, o 2º piso possui uma vedação de acústica, de forma que seus filhos poderão jogar videogame alto ou ver televisão, que no primeiro piso haverá total isolamento do som. A cozinha foi planejada de forma tal a garantir maior aproveitamento dos espaços, como o senhor pode verificar, todos os eletrodomésticos ficarão embutidos, o que garantirá maior área de circulação na mesma...
2ª situação: o ladrão explicando ao comparsa como entrar na casa para um roubo.
“O cara, o lance é o seguinte, a casa é a maior moleza, sacou? O alarme só apita, cara, se tu força a porta da frente, mas o lance é subir pelo telhado, e descer num bequinho que fica na frente da sala, um tal de jardim de inverno, como os bacana fala e saca só: lá só tem uma porta de vidro, cara, é a maior moleza , essa porta não tem grade nem tranca especial, e só levá um torniquete e já tamo no meio do cafofo, morô? Aí , cara, é só aproveitar, deitar e rolar....
Agora, você continua, escolha umas das situações descritas nas letras "c", "d" e "e" e construa um texto mostrando como seriam os recursos comunicativos de cada falante. Você pode propor, também, outras situações.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Módulo1: Competências Interacional e Gramatical-Pós-SEDF -UNB -Atividade.

Competências Interacional e Gramatical

Monteiro Lobato, em seu livro: “Emília no País da Gramática” , relata, com extremo bom humor e competência, os fenômenos de variação e mudança, inerentes às línguas humanas. Quase sempre usando Emília como a voz da insubordinação contra os preconceitos lingüísticos, Lobato delicia-nos com inúmeras passagens como as que seguem:
“Pois o tal tu - disse Emília- o que deve fazer é ir arrumando a trouxa e pondo-se a fresco. Nós lá do sítio conversamos o dia inteiro e nunca temos ocasião de empregar um só Tu, salvo na palavra tatu. Para nós o tu está velho coroca” (p.310)
“Dona Etimologia: Tomemos a palavra latina speculum- continuou a velha- essa palavra emigrou para Portugal com os soldados romanos, e foi sendo gradativamente errada até ficar com a forma que tem hoje- Espelho.
-E os ignorantes de hoje continuam a mexer nela -observou Narizinho- a gente da roça diz Espeio.
Muito bem lembrado-concordou a velha. Essa forma Espeio é hoje repelida com horror pelos cultos modernos, como a forma Espelho devia ter sido repelida com horror pelos cultos de dantes. Mas como os cultos de hoje aceitam como certo o que já foi erro, bem pode ser que os cultos do futuro aceitem como certo o erro de hoje. Eu, que sou muito velha e tenho visto muita coisa, de nada me admiro. O homem é um animal comodista. Daí a sua tendência a adotar os erros que exigem menor esforço para a pronúncia. Espelho exige menor esforço do que speculum, e por isso venceu. Espeio exige menor esforço do que Espelho. Quem nos diz que não acabará vencendo, nestes mil ou dois mil anos? “ (p.323).
“Dona etimologia: - Este aí é o neologismo. Sua mania é fazer as pessoas usarem expressões novas demais, e que pouca gente entende.
Emília, que era grande amiga de neologismos, protestou.
-Está aí uma coisa que não concordo. Se numa língua não houver Neologismos, essa língua não aumenta. Assim com há sempre crianças novas no mundo, para que a humanidade não se acabe, também é preciso que haja na língua uma contínua entrada de neologismos.(...)Não! Isso não está direito e vou soltar este elegantíssimo Vício, já e já...
Não mexa, Emília!- gritou Narizinho - Não mexa na língua, que vovó fica danada...
-Mexo e remexo!- replicou a boneca batendo o pezinho - e foi e abriu a porta e soltou o Neologismo, dizendo: Vá passear entre os vivos e forme quantas palavras quiser. E se alguém tentar prendê-lo, grite por mim, que mandarei o meu rinoceronte em seu socorro. Quero ver quem pode com o Quindim...” (p. 339)
“Quindim: - A língua é uma criação popular na qual ninguém manda. Quem a orienta é o Uso e só ele. E o uso irá dando cabo de todos esses acentos inúteis. (...) O uso aceita as reformas simplificadoras, mas repele as reformas complicadoras.
Emília ficou radiante com as explicações do Quindim e pôs em votação o caso. Todos votaram contra os acentos, inclusive dona Benta, a qual declarou peremptoriamente:
-Nunca admiti nem admitirei imbecilidades aqui em casa.” (p.353) Lobato, Monteiro-Emília no País da Gramática . São Paulo: Brasiliense. s/d.
Ø Você concorda com o posicionamento do autor? Por quê?
Ø Em que sentido, este livro, embora tenha sido escrito há muitas décadas, ele continua atual?
Ø Em que dimensão, no texto lido, o erro deixa de ser erro e passa a ser aceito socialmente?
Ø Em que sentido as idéias de Lobato vão ao encontro de nossa discussão feita acima?
Ø Como você planejaria uma aula de oralidade, tendo como suporte o texto acima?
Lembre-se, ao avaliar o seu texto, estaremos levando em consideração:
Clareza de idéias;
Coesão e coerência;
Originalidade;
Relação com os conceitos trabalhados no fascículo e com teóricos da área.
Respeito aos prazos.
Aguardamos sua atividade e nos colocamos à disposição para eventuais dúvidas.
Tutoria.

Competências Interacional e Gramatical

Reflexões
carlos fernandes cavalcante

Com vinte e três de magistério, ainda objetivo alternativas que transformem a minha prática e quem sabe possibilitem ao meu aluno o desenvolvimento e aquisição de competências que permitam a todos eles o exercício pleno da cidadania, lembrando Foucambert: apenas alfabetizar a população, dar-lhe acesso ao código sem dar-lhe acesso ao mundo da escrita está longe de representar uma possibilidade de fazer de um indivíduo um cidadão. É preciso pensar, (re) ver e (re) agir, o mundo está diferente, cada vez mais dinâmico, mudanças ocorrem em uma velocidade nunca vista. Necessito trabalhar para que o discente consiga,mesmo que parcialmente, dominar o uso da linguagem mais complexa e menos cotidianas, em leituras e compreensão de textos orais e escritos,olho para o PCN, sempre.
O texto de Lobato é engajado, permitindo além uma grata leitura, a análise crítica, encaminhando o leitor a estudos lingüísticos e de rupturas gramaticais. Interessante que tais possibilidades são admissíveis, mesmo para leitores com letramento de diferentes níveis. Portanto, não há com divergir do autor, sabendo-se que a leitura literária faz parte da ampliação do letramento, o que significa também o crescimento qualitativo das informações na memória, ou seja, na bagagem cultural do leitor/discente.
Apesar da diminuição de analfabetos em nosso país, o nível de letramento de nosso povo permitiu um afastamento ainda maior da língua culta, vale ressaltar que língua literária pode ser considerada uma variação artística, no referido texto o desvio do padrão foi esteticamente necessário, para demonstrar as divergências ou mudanças existentes entre os padrões existentes, especialmente no campo da oralidade, que é um tema atualíssimo, pode-se tomar como referência os neologismos e o desuso do pronome pessoal tu. Outro aspecto importante, a leitura literária permite um modo de ler próximo a realidade conhecida pelo leitor, estabelecendo outras relações importantes para a formação de sua consciência.
A língua é uma realidade viva e em constante mutação. Por isso, o domínio do nosso idioma é decisivo para o discente, e para obtê-lo se faz necessária a compreensão do caráter mutante que ela possui. O que hoje representa uma forma inadequada pode no futuro transformar-se em usual, podendo inclusive se considerada s padrão. Os estudos diacrônicos demonstram que esse tipo de atividade é muito comum, sendo um dos principais fatores de oxigenação de nossa língua, conclui-se que as mudanças ocorrem por diversos fatores, sejam eles geográfico e ou socioculturais, mas a transposição para outra prática só acontece quando um grupo aceita, utiliza e impõe a nova maneira de falar e/ ou escrever. Isso significa que a professor não pode criar no aluno a equivocada noção de que falar ou escrever não têm nada que ver com gramática.
O autor deixa bem claro que não há como deter as transformações, uma vez que a língua não tem dono, pertence ao povo, que soberanamente, faz as modificações necessárias, não se submetendo da Gramática Normativa que para Bagno (2000) representa um “mecanismo ideológico de poder e de controle de uma camada social sobre as demais, formou-se essa “falsa consciência” coletiva de que os usuários de uma língua necessitam da Gramática Normativa como se ela fosse uma espécie de fonte mística da qual emana a língua “pura”. Foi assim que a língua subordinou-se à gramática.”
Quando trabalhamos com o aluno, observamos que a aprendizagem processa-se ancorada na interação entre professor e alunos, alunos e alunos e entre alunos e material didático. Um texto tão rico e interessante, com tantas informações, deve ser usado de uma forma bem lúdica, num primeiro momento, uma leitura oral e, a seguir, promoção de uma conversa informal sobre ele, perguntando, por exemplo, se os alunos gostaram ou não e por que, se acharam o texto infantil e atual, etc. Os alunos devem observar também sobre as marcas próprias dos textos de gênero narrativo: a estrutura- personagem, enredo, discurso, ambiente, bem como as observações que são feitas a respeito dos diálogos e as que estão entre parênteses. O próximo passo pode ser uma leitura dramática, feita por vários alunos, cada um assumindo os personagens. Próximo, , elaborar uma analise escrita, com questões que permitam não só compreensão, mas a extrapolação do mesmo, evidenciando os fenômenos de variação e mudança, inerentes às línguas humanas, desenvolvendo assim as competências necessárias para o domínio e compreensão da língua e as habilidades de: leitura, interpretação e representação de um texto literário. Parte o planejamento deve ser feito em sala de aula, acatando a sugestão dos alunos, para inclusive definir o processo de avaliação.
A construção de uma nova prática não é uma tarefa fácil, requer a quebra de paradigmas e abandono de fórmulas exaustivamente utilizadas, mas é uma experiência que realmente merece se vivida. É preciso atentar para que esse ensino mais sistematizado da gramática seja visto em uso e para o uso, constatando-se sua funcionalidade e procurando-se inseri-lo em situações reais ou que se aproximem o máximo possível dessa realidade (PRESTES, 1996).


BIBLIOGRAFIA
BAGNO, Marcos. Dramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Loyola, 2000.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília.
FOUCAMBERT, Jean. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. PRESTES, Maria Luci de Mesquita. Ensino de português como elemento consciente de interação social: uma proposta de atividade com texto. Ciências & Letras. Porto Alegre : FAPA, n. 17, p.189-198, 1996.









2: Os Caminhos da Construção da Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais

Uma nova formação docente
Maria Stela Gomes Pedrosa

Sim, durante anos a racionalidade técnica, cujas raízes foram afincadas no positivismo, impôs historicamente limites para o processo de formação dos docentes e, conseqüentemente, para o desenvolvimento de uma sociedade que procura por mudanças sociais, políticas e culturais, visto que, nesse modelo, os princípios básicos eram associados a conteúdos formais, estruturados em grades curriculares, não valorizando, dessa forma, a criatividade e a inovação do professor. Havia em alguns cursos a dicotomia entre bacharelado e licenciatura,ela levava a entender que no bacharelado se formava o técnico em educação e, na licenciatura o professor . Muitos profissionais da SEEDF, sou um exemplo, receberam esse tipo de formação, estrutura presente ainda em muitos cursos até hoje. Mas, com as transformações ocorridas em nossa sociedade e diante das crises que assolam o mundo moderno, nos últimos vinte anos as mudanças de paradigmas têm possilbiitado transformações em todos os âmbitos do saber e do fazer do homem, inclusive na educação atingindo também os conceitos de autonomia, emancipação e liberdade, obrigando-nos, mais uma vez, repensarmos e refletirmos sobre as novas competências para ensinar, novos entendimentos sobre ensinar e aprender, aprender a aprender e como apreender as novas formas de relação entre a ética e o agir pedagógico, surgindo então à necessidade de se formar o professor um profissional que não esteja apenas voltado para docência, mas que seja atambém um pesquisador.
Em relação à formação docente, as universidades têm um papel de destaque, transformaram-se em centros de produção e de legitimação dos saberes. São centros que viabilizam, estimulam e se responsabilizam pelo o ensino, pesquisa e extensão, desse modo, e todas as interações e ligações afins advindas desses três elementos. Entretanto, para Tardiff (2002) a formação dos professores e seus respectivos saberes dependem fundamentalmente, além das universidades, do interesse do Estado. (p. 41). É preciso entender,que os modelos de educação propostos servem para perpetuar ou servir aos interesses da ideologia dominante.Foi assim na Ditadura e na Era FHC, essa última responsável pelas grandes mudanças ocorridas na legislação educacional.Com a o retorno do Estado de Democrático e as novas demandas de um mundo globalizado, as universidades em consonância com alguns setores da sociedade buscam novos paradigmas para a educação.
No Dicionário Houaiss, “pesquisa é o conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc., é a investigação ou indagação minuciosa, é o exame de laboratório”. A compreensão desta definição e muitas outras ligada ao tema, remete-nos a alguns questionamentos: como pode o professor que não é pesquisador, propor atividades de pesquisas aos seus alunos?Como ele as fundamenta , organiza , orienta e avalia essa atividade?São dois questionamentos interessantes que podem demonstrar o caminho errático trilhado pelo docente na construção dos saberes. Assim deve-se buscar mudanças, as quais chegam às escolas sob o aspecto da necessidade de implementar a novas e práticas educacionais. Para Santomé (1998) esse processo é irreversível. (p83) Portanto, deve o professor ser fruto - formação docente/continuada/de projetos de pesquisas- ou estabelecer uma parceria com a universidade para quem sabe encontrar um espaço aberto para o trabalho com seus alunos oportunizando um melhor desenvolvimento de atividades pedagógicas que resultem em aprendizagens nas áreas de ciências exatas ou humanas, cultura, linguagens e tecnologia. Assim esses alunos encontraram nele ou na instituição o apoio e orientação para a definição e execução de projetos de cunho científico, social e/ou ambiental. Essas atividades que são desenvolvidas no ambiente escolar podem promover transformação e divulgação do conhecimento produzido, dando uma nova cara à escola.
Os alunos de hoje possuem características que aparentemente se contradizem: são questionadores, porém menos estudiosos e buscam respostas rápidas. Há muita coisa à disposição deles e infelizmente, pouca espaço para reflexão, para busca subjetiva de respostas. Existem diferenças entre os adolescentes de hoje e os de décadas atrás, são diferenças de aspecto ou de forma, embora as causas sejam relativamente diferentes, as angústias, os medos, as incertezas, a insegurança são os mesmos, tipicamente humanos. Daí a necessidade de um novo perfil para o docente,esse aluno faz parte de um novo mundo.De acordo com Costa(2008),”é preciso entender que vivemos em uma sociedade plural, onde múltiplas culturas se entrelaçam, disputam poderes e se fazem presente em toda sala de aula. A dessacralização da ciência destrói, corrompe, segundo a autora, a imagem do professor como homem do conhecimento, conferindo-lhe a perda de confiança em si mesmo, questão agravada pelo parco conhecimento e dificuldade de manuseio das novas tecnologias. E a insegurança vai interferir até na destreza de sua transmissão do conhecimento.”(p.8)As instituições de ensino superior ,com certeza, necessitam se voltar para formação de um docente –pesquisador que sabe o que faz e procura construir através de atividades de pesquisa um a nova prática, propiciando assim uma formação cidadã, libertadora.
Portanto, os professores do ensino médio devem rever o seu papel, redimensionando a sua prática para além da transmissão de conhecimentos, se preocupando também com a produção de conhecimento, informação de concepções e tratamentos de novos objetos, só possível com a pesquisa, para Costa (2008) “a relação entre professor e pesquisa deve ser pensada em movimento, em constante mudança, o que assegura a sua natureza histórica. Ou seja, ela deve ser refletida dentro do contexto histórico, social, econômico e cultural onde se realiza. Além disso, no nosso entendimento, somente a pesquisa é capaz desmistificar a prática escolar como o lócus preferencial para a formação do professor, como espaço privilegiado na construção de sua identidade profissional” (p.19).

Referências Bibliográficas:

Costa, Cleria Botelho da.Os caminhos da construção da pesquisa em ciências humanas e sociais. Brasília : Editora UnB, 2008.
SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e Interdisciplinaridade: o currículo integrado. Tradução.
TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.


terça-feira, 14 de outubro de 2008

O professor

Qualidade do professor é a alavanca para melhorar o desempenho dos alunos
Talita Mochiute

talitamochiute@aprendiz.org.br
“A qualidade do professor é a alavanca mais importante para melhorar o desempenho dos alunos”. A afirmação é da doutora em desenvolvimento econômico pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), dos Estados Unidos, Mona Mousherd, que coordenou o estudo Como os Sistemas Escolares de Melhor Desempenho do Mundo Chegaram ao Topo, realizado pela Consultoria McKinsey.Os resultados da pesquisa foram apresentados na última segunda-feira (13/10), durante a Semana da Educação, promovida pela Fundação Victor Civita. O evento tem como objetivo refletir o ensino brasileiro e contribuir com a melhoria da educação. O estudo analisou quais são os fatores de sucesso dos dez melhores sistemas educacionais do mundo, de acordo com o ranking do Programme for Internacional Student Assessment (PISA) - programa internacional, coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que avalia o desempenho dos alunos na faixa dos 15 anos em leitura, matemática e ciências.Um dos fatores é a excelência do quadro docente. Na Finlândia e Coréia do Sul, dois destaques em modelo de ensino, o processo seletivo para professores é concorrido. No país escandinavo, apenas um em cada 10 candidatos é aceito como professor. Já na Coréia a concorrência é de 1 para 6.Nesses países, o professorado é formado por graduados bem preparados. Na Finlândia, o corpo docente é constituído pelos 5% de melhor desempenho na graduação. Na Coréia, é pelos 10%. Esse índice chega a 30% em Cingapura, outro país com sistema de ensino de sucesso. No Brasil, ocorre o contrário. Segundo o presidente Executivo do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, presente no evento, o quadro de docentes é composto por alunos mais fracos e com baixo nível econômico. “As nossas universidades não têm vocação para formar professores de educação básica. Quem, como e para que forma? É preciso pensar essas questões e reinventar o processo de formação inicial de professores”, comentou.Salário dos ProfessoresPara atrair bons profissionais, os melhores sistemas educacionais investem em política salarial. Finlândia e Coréia do Sul equipararam o salário inicial dos professores com os dos outros setores da economia. “Quando o estudante escolhe uma carreira, compara os salários das diversas profissões. Com o salário inicial alto, a carreira de professor fica mais competitiva”, revelou Mona.A especialista lembrou ainda que o salário inicial elevado ajuda a manter os professores na carreira. “Nos Estados Unidos, o salto salarial só ocorre no sétimo ano de profissão. Muitos abandonam a cargo no segundo ano em busca de opções mais rentáveis”, afirmou. O presidente do Todos pela Educação problematizou a associação entre salário e desempenho dos alunos. “Há especialistas brasileiros que dizem que o salário não é importante. Essa variável, salário do professor e desempenho do aluno, é válida para o Brasil?”, perguntou.Para a secretária de Educação do estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, o problema brasileiro do salário dos professores está relacionada com o “excessivo corporativismo estatal nas carreiras públicas”. O aumento do salário dos professores leva ao reajuste dos salários dos outros funcionários públicos. “Em São Paulo, temos 240 mil professores da rede estadual e mais de 1 milhão de funcionários públicos”, comentou.“Não dá para fechar os olhos diante da questão salarial. Precisamos defender melhores salários para os professores no Brasil”, rebateu a secretária de Educação do estado de Goiás, Milca Severino.Diante das ressalvas, Mona Mousherd reforçou a importância de salários mais competitivos, lembrando da necessidade de campanhas que valorizem a profissão de docente. Alunos com o mesmo desempenho Além do investimento na qualidade do professor, a segunda lição dada pelos melhores sistemas educacionais, segundo Mona, é focar no ensino para a aprendizagem efetiva dos alunos por meio de programas de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas. “Nos melhores sistemas, cerca de três horas da semana são reservadas para o treinamento e o retorno do desempenho aos professores. O intercâmbio entre o professorado é fundamental”, explicou a doutora pelo MIT. Em Xangai, na China, todos os professores são obrigados a visitar e observar pelo menos oito aulas dadas por colegas em cada semestre. Enquanto isso, na Finlândia, um profissional mais experiente fica no fundo da sala e dá instruções para o professor pelo ponto eletrônico.Outra conclusão do estudo é que o alto desempenho significa que todas as crianças devem ser bem-sucedidas, não apenas parte delas. Para apoiar os alunos no seu desenvolvimento, os modelos educacionais de excelência realizam avaliação e inspeções na escola, avaliações do sistema todo e exames finais periodicamente. A obtenção de dados serve para identificar alunos com problemas e direcioná-los a programas de reforço escolar. Na Finlândia, alunos com baixo desempenho são colocados em novas salas e recebem educação especial, oferecida por um grupo multidisciplinar (professores, psicólogos e consultores). Quando superam as dificuldades, volta para sua antiga turma. Cerca de 30% de todos os alunos finlandeses já participaram dessa iniciativa. Na outra ponta, alunos melhores colocados nos exames também recebem atenção especial, recebendo aulas mais avançadas. Por fim, o último fator de sucesso é o investimento na liderança das escolas. “Esses países procuram selecionar diretores que reúnam excelência de ensino e em gestão”, explicou a doutora pelo MIT. Para qualificar os futuros diretores, em Cingapura, por exemplo, há oferta de curso de administração de seis meses equivalente a cursos oferecidos para profissionais específicos deste setor. “Os gestores também precisam saber dialogar com alunos, professores e com a comunidade”, conclui Mona Moushard.

Educação.


Índice da edição 216 - out/2008
CAPA Formação no mundo
Eles podem inspirar a busca por soluções
Nos países que contam com os melhores sistemas educacionais a valorização da profissão docente é a chave para garantir a qualidade
wrAutor('Ana Rita Martins, Beatriz Santomauro e Rodrigo Ratier','','')
Ana Rita Martins, Beatriz Santomauro e Rodrigo Ratier



Como os países com os melhores sistemas educacionais do planeta conseguiram esse feito? Em busca de respostas a essa pergunta, um recente estudo da consultoria americana McKinsey, chamado Como os Sistemas Escolares de Melhor Desempenho do Mundo Chegaram ao Topo, identificou as medidas que levam esse seleto grupo de nações aos lugares mais altos nos rankings dos exames internacionais. As descobertas foram sintetizadas em quatro lições: selecionar os melhores professores, cuidar da formação docente, não deixar nenhum aluno para trás e capacitar equipes de gestores. Com exceção dessa última medida, relativa à importância da liderança escolar, as outras três confirmam algo que inúmeros estudos anteriores já apontavam: a qualidade do professor é a característica que mais influencia a aprendizagem.
Leia também:
A origem do sucesso (e do fracasso) escolar Ao mesmo tempo, tão perto e tão longe Não basta (só) tapar os buracos
A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA AULA
Pesquisa nos EUA indica que a qualidade do professor tem influência direta no desempenho dos estudantes
Dados do estado do TennesseeFonte Cumulative and Residual Effects on Future Student Academic Achievement
Não por acaso, a receita dos sistemas de sucesso não abre mão de um ingrediente básico: estímulo contínuo à formação docente completa e de qualidade, seja ela inicial ou continuada. Mesmo países com desempenho intermediário nos exames internacionais - caso de Reino Unido e Estados Unidos - colheram bons resultados nas vezes em que decidiram apostar nessa receita. Para entender como também nós podemos avançar na área, NOVA ESCOLA investigou como Coréia do Sul, Finlândia e Japão, países considerados modelos em Educação, preparam seus educadores. E, nos depoimentos de três deles (leia nesta página e na página seguinte), é possível conferir como é trabalhar em lugares que tratam o professor como prioridade. Faculdade que forma O relatório da consultora McKinsey é taxativo: o conhecimento do docente e sua atuação em sala de aula são decisivos para o desempenho da turma (confira no gráfico da página ao lado os resultados de uma pesquisa sobre o tema no estado americano do Tennessee). A constatação só aumenta a importância da formação inicial, que passa a ter uma dupla função: recrutar os melhores profissionais e garantir que eles adquiram conhecimentos relevantes para a prática.
Esforço recompensado
Foto: Arquivo pessoal
Soleiman Dias, professor de Ensino Fundamental por três anos na Coréia do Sul
Brasileiro de Fortaleza, Soleiman Dias migrou há sete anos para a Coréia do Sul para dar aulas no 1º e 2º anos sobre Imersão Cultural, uma disciplina sobre valores coreanos vistos por um olhar estrangeiro. A qualidade de sua formação foi determinante para conseguir o emprego: ele tem mestrado em Educação Internacional nos Estados Unidos. Em Seul, onde recebeu até uma homenagem da prefeitura pela qualidade de suas aulas, Dias goza de benefícios bem diferentes dos que teria no Brasil (e mesmo de outros trabalhadores sul-coreanos). "Aqui, um recém-formado recebe 4 mil reais por mês. Além disso, tenho três meses de férias, muito mais do que os 12 dias a que outros profissionais têm direito." "Sou um profissional reconhecido como essencial para o país."
Na Coréia do Sul, os futuros professores do Ensino Fundamental são selecionados entre os 5% dos alunos com melhor desempenho no Ensino Médio. Como os salários da carreira são bons e as vagas em universidades são poucas - apenas 6 mil por ano (leia mais no quadro da página 61) -, a concorrência é grande. Os candidatos só garantem um lugar na graduação após terem seu histórico escolar avaliado e tirarem pontos altíssimos em uma prova. Contam também para a seleção o conhecimento em línguas e Matemática e as habilidades de comunicação, básicas para quem ensina. O número de alunos que freqüentam os cursos superiores atende apenas à demanda para que todos tenham um trabalho garantido. Concluir essa etapa da formação também não é fácil. São quatro anos em período integral, com estágios em escolas que funcionam dentro da universidade, onde os futuros professores são acompanhados por tutores. Terminada a graduação, é hora de fazer o mestrado - uma formação obrigatória para lecionar.
A REFORMA QUE DÁ RETORNO
Em 50 anos, o Reino Unido tentou de tudo para melhorar a alfabetização. A formação em serviço deu resultados em apenas três anos
Fonte Como os Sistemas Escolares de melhor desempenho do mundo chegaram ao topo
No dia-a-dia, o educador é avaliado constantemente por diretores ou outros professores durante reuniões semanais. A estrutura também é digna de um país com altíssimo desenvolvimento tecnológico: salas equipadas com telões de plasma, televisões e computadores com acesso à internet.Ensinar para todos "Qualidade para todos e para cada um." Se existe um país que segue esse preceito à risca é a Finlândia. Além de ocuparem os primeiros postos nos exames do Pisa, os finlandeses ostentam o recorde de escolas com menor variação de notas entre as 57 nações avaliadas. Os grandes responsáveis por essa performance notável são os programas de apoio aos alunos com dificuldade de aprendizado. E, claro, professores preparados para a tarefa de ensinar para todos, respeitando a diversidade e o ritmo de cada estudante.
Formação completa
Foto: Matti Bjrkman
Vesa-Pekka Sarmia, professor de reforço na Finlândia
Vesa-Pekka Sarmia trabalha numa escola pública da Finlândia onde leciona para grupos de dois a seis estudantes com dificuldades de aprendizado. Para poder ensinaressas turmas, ele cursou uma graduação específica, com duração de cinco anos em período integral. As aulas ocorrem no contraturno e duram uma hora e meia. O grau de dificuldade de cada aluno determina quantos dias ele vai freqüentar as aulas. No início do reforço, a tarefa de Sarmia é identificar o principal problema do estudante: se é de ordem psíquica, familiar ou de aprendizado. "Minha função é auxiliar essas crianças a se manter no mesmo nível que seus colegas do curso regular. É gratificante.""Ajudo a nivelar as diferenças sociais que se refletem na escola."
O "milagre" finlandês atende pelo nome de Educação Especial, que se divide em duas modalidades de ensino. A primeira, que atende cerca de 8% dos estudantes, é organizada para auxiliar aqueles com deficiências físicas, mentais ou emocionais mais graves. A segunda, freqüentada por um em cada três alunos, é um reforço no contraturno para quem tem dificuldades leves de adaptação ou de aprendizado, especialmente em línguas e Matemática. Essa iniciativa é concentrada nos primeiros dois anos da Educação Básica, para garantir que os fundamentos sejam bem aprendidos por todos. Ao longo da vida escolar, cerca de 20% das crianças e dos jovens passam pelas aulas suplementares no contraturno, índice muito acima da média internacional, de 6%. Professores das duas modalidades de Educação Especial são muitos: há um deles para cada sete educadores regulares. Esses profissionais passam por uma formação diferenciada: freqüentam um curso universitário específico, que dura cinco anos em período integral. Além dos assuntos tradicionais da formação docente, o currículo inclui estudos específicos para a tarefa de ensinar quem tem mais dificuldade: Aspectos Neurocognitivos da Aprendizagem, Desafios da Compreensão e Sociedade, Deficiência e Educação são algumas das disciplinas. Ao todo, cerca de 30% da carga horária é dedicada a esses temas. Na prática, a formação cuidadosa é completada por uma rede de apoio ao professor, que tem à disposição uma equipe de psicólogos, psicopedagogos e consultores para ajudá-lo a resolver os problemas da sala de aula. Aprender sempre Entretanto, não basta recrutar os melhores professores e formá-los bem. É preciso mantê-los sempre atualizados. Mentoria, trabalhos em grupo, cursos sobre as didáticas específicas... Existem várias maneiras de criar e disseminar as melhores estratégias de ensino. O impacto dessas iniciativas na aprendizagem costuma ser direto - e rápido. Em apenas três anos, o Reino Unido conseguiu o aumento de 12 pontos percentuais nos índices de alfabetização ao apostar na formação continuada de seus educadores (veja o gráfico na página ao lado).
Aprender até a aposentadoria
Foto: Marcio Saiki
Yoshihiro Watanabe, professor de Ensino Fundamental no Japão
Nos seus 17 anos de docência, Yoshihiro Watanabe já perdeu as contas de quantos programas de formação continuada já fez: Metodologia do Ensino da Matemática, Metodologia do Ensino da Língua Japonesa, Recreação Infantil, Cotidiano Escolar... O governo do Japão oferece aos professores cursos formais e promove visitas a outros colegas para observar e aprender com as aulas. Watanabe é avaliado todo ano pela Secretaria de Educação da província de Minokamo, que emite um relatório sobre o trabalho, baseado também nas formações de que participou. "Sinto que, mesmo com uma experiência vasta, ainda tenho muito a aprender.""Meu desenvolvimento é acompanhado pela Secretaria de Educação."
O Japão, um dos países mais avançados nessa área, sabe disso. Lá, a formação não acaba nunca: políticas públicas garantem que os professores ganhem novos conhecimentos até o dia de sua aposentadoria. O modelo nipônico mescla diversos tipos de atividades. Os cursos formais são obrigatórios - cada professor precisa fazer pelo menos um por ano. No primeiro, segundo, terceiro, sexto e 12º ano de docência, os educadores freqüentam cursos sugeridos pelo coordenador pedagógico da escola, que analisa quais as necessidades a serem supridas. Nos outros anos, é a vez de os próprios professores escolherem os cursos fornecidos pelo governo. Também existem iniciativas especialmente voltadas para a formação em serviço. Docentes iniciantes, por exemplo, participam de um programa de treinamento em que, além de trabalhar em tempo integral em escolas, são acompanhados por professores-monitores durante dois dias por semana. A iniciativa recebe apoio dos educadores porque o objetivo não é avaliar a atuação dos novatos, mas ajudá-los a desenvolver seu potencial. Outra opção é o estímulo às atividades em equipe. É comum os docentes elaborarem, planejarem seu material didático juntos, assim como visitarem a sala de aula dos colegas para observarem seu trabalho. Se a realidade brasileira ainda parece (e é) muito distante desses exemplos, um bom estímulo é saber que existem caminhos e diversos casos de sucesso. E que uma longa caminhada sempre começa com um primeiro passo.
A distância que separa o Brasil dos melhores
Se as histórias de valorização docente e apoio profissional apresentadas nesta reportagem parecem muito distantes da nossa realidade, os números também não deixam dúvida: ainda existe um abismo separando o Brasil das nações de ponta. Algumas estatísticas ajudam a dimensionar o tamanho da diferença. FORMAÇÃO INICIAL
Enquanto aqui a graduação em Pedagogia patina nos altos índices de abandono, a situação nos sistemas de bom desempenho é outra. Na Coréia do Sul, por exemplo, a formação de professores é realizada por apenas 13 instituições, selecionando apenas os melhores e abolindo a evasão.CONHECIMENTOS SOBRE A FORMAÇÃO PROFISSIONAL ESPECÍFICA
Ao comparar o currículo do curso de Pedagogia do Brasil com o da Universidade de Helsinque, uma das principais instituições formadoras de professores da Finlândia, fica evidente a diferença de atenção dada aos conteúdos e às didáticas da Educação Básica. No país nórdico, a carga horária relacionada a "quê" e "como" ensinar é mais do que o dobro da brasileira. FORMAÇÃO CONTINUADA
A comparação, dessa vez, opõe o Japão, um dos bons exemplos em formação permanente, e São Paulo, uma das redes estaduais que mais investe em capacitação no Brasil, de acordo com levantamento realizado por NOVA ESCOLA. Mesmo nesse caso, os números são favoráveis aos japoneses. Tudo indica que a diferença aumenta ainda mais na comparação com outros estados.