sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Módulo1: Competências Interacional e Gramatical-Pós-SEDF -UNB -Atividade.

Competências Interacional e Gramatical

Monteiro Lobato, em seu livro: “Emília no País da Gramática” , relata, com extremo bom humor e competência, os fenômenos de variação e mudança, inerentes às línguas humanas. Quase sempre usando Emília como a voz da insubordinação contra os preconceitos lingüísticos, Lobato delicia-nos com inúmeras passagens como as que seguem:
“Pois o tal tu - disse Emília- o que deve fazer é ir arrumando a trouxa e pondo-se a fresco. Nós lá do sítio conversamos o dia inteiro e nunca temos ocasião de empregar um só Tu, salvo na palavra tatu. Para nós o tu está velho coroca” (p.310)
“Dona Etimologia: Tomemos a palavra latina speculum- continuou a velha- essa palavra emigrou para Portugal com os soldados romanos, e foi sendo gradativamente errada até ficar com a forma que tem hoje- Espelho.
-E os ignorantes de hoje continuam a mexer nela -observou Narizinho- a gente da roça diz Espeio.
Muito bem lembrado-concordou a velha. Essa forma Espeio é hoje repelida com horror pelos cultos modernos, como a forma Espelho devia ter sido repelida com horror pelos cultos de dantes. Mas como os cultos de hoje aceitam como certo o que já foi erro, bem pode ser que os cultos do futuro aceitem como certo o erro de hoje. Eu, que sou muito velha e tenho visto muita coisa, de nada me admiro. O homem é um animal comodista. Daí a sua tendência a adotar os erros que exigem menor esforço para a pronúncia. Espelho exige menor esforço do que speculum, e por isso venceu. Espeio exige menor esforço do que Espelho. Quem nos diz que não acabará vencendo, nestes mil ou dois mil anos? “ (p.323).
“Dona etimologia: - Este aí é o neologismo. Sua mania é fazer as pessoas usarem expressões novas demais, e que pouca gente entende.
Emília, que era grande amiga de neologismos, protestou.
-Está aí uma coisa que não concordo. Se numa língua não houver Neologismos, essa língua não aumenta. Assim com há sempre crianças novas no mundo, para que a humanidade não se acabe, também é preciso que haja na língua uma contínua entrada de neologismos.(...)Não! Isso não está direito e vou soltar este elegantíssimo Vício, já e já...
Não mexa, Emília!- gritou Narizinho - Não mexa na língua, que vovó fica danada...
-Mexo e remexo!- replicou a boneca batendo o pezinho - e foi e abriu a porta e soltou o Neologismo, dizendo: Vá passear entre os vivos e forme quantas palavras quiser. E se alguém tentar prendê-lo, grite por mim, que mandarei o meu rinoceronte em seu socorro. Quero ver quem pode com o Quindim...” (p. 339)
“Quindim: - A língua é uma criação popular na qual ninguém manda. Quem a orienta é o Uso e só ele. E o uso irá dando cabo de todos esses acentos inúteis. (...) O uso aceita as reformas simplificadoras, mas repele as reformas complicadoras.
Emília ficou radiante com as explicações do Quindim e pôs em votação o caso. Todos votaram contra os acentos, inclusive dona Benta, a qual declarou peremptoriamente:
-Nunca admiti nem admitirei imbecilidades aqui em casa.” (p.353) Lobato, Monteiro-Emília no País da Gramática . São Paulo: Brasiliense. s/d.
Ø Você concorda com o posicionamento do autor? Por quê?
Ø Em que sentido, este livro, embora tenha sido escrito há muitas décadas, ele continua atual?
Ø Em que dimensão, no texto lido, o erro deixa de ser erro e passa a ser aceito socialmente?
Ø Em que sentido as idéias de Lobato vão ao encontro de nossa discussão feita acima?
Ø Como você planejaria uma aula de oralidade, tendo como suporte o texto acima?
Lembre-se, ao avaliar o seu texto, estaremos levando em consideração:
Clareza de idéias;
Coesão e coerência;
Originalidade;
Relação com os conceitos trabalhados no fascículo e com teóricos da área.
Respeito aos prazos.
Aguardamos sua atividade e nos colocamos à disposição para eventuais dúvidas.
Tutoria.

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